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Clarisse S. de Souza et al.(1993) ? Sem?ntica Lexical... ? 3
Lucena,C.J.P. (ed.) MCC 22/93 ? Inform?tica, PUC-Rio
A descri??o sem?ntica do l?xico tem como ponto de partida o modelo proposto por Jackendoff [06], sob o r?tulo de Sem?ntica Conceitual. O modelo original, fortemente cognitivo, focaliza aquilo que se define como I-concepts ? os conceitos internalizados pelos indiv?dulos ao conhecerem e experimentarem o mundo. Tais conceitos resultam da organiza??o de um conjunto finito de primitivas mentais, regulada por um conjunto tamb?m finito de princ?pios combinat?rios. Jackendoff adota a hip?tese de que o invent?rio de conceitos lexicais ? constru?do pela combina??o ordenada de primitivas, a partir de uma base inata de conceitos poss?veis, modulados pela contribui??o tanto da experi?ncia ling??stica quanto da n?o-ling??stica.
As primitivas que possibilitam a composi??o das Estruturas Conceituais (EC's) s?o categorias ontol?gicas que recebem nomes como Coisas, Eventos, Estados, Dire??es e Lugares. Tanto as EC's como os princ?pios de combina??o entre elas s?o universais e n?o dependem de qualquer l?ngua, mesmo porque o n?vel de representa??o conceitual n?o capta informa??es apenas do sistema ling??stico, mas tamb?m de outros sistemas, como o visual e o motor.
Embora Jackendoff afirme [05] n?o se preocupar com as conseq??ncias computacionais de sua teoria, o fato ? que ela apresenta uma s?rie de vantagens, dentre as quais destacamos as que se seguem.
a) Formaliza??o ? As EC's e seus princ?pios de organiza??o s?o representados com cuidadoso rigor formal. Para o autor, a formaliza??o serve com um importante quesito na testagem de uma teoria. O atrativo computacional de teorias bem formalizadas dispensa qualquer ?nfase.
b) Apelo ? Unifica??o ? O modo como se interrelacionam as EC's e as estruturas sint?ticas segue um mecanismo similar ao de unifica??o, como atesta o pr?prio autor [06, p.290]. Esta caracter?stica ? particularmente bem-vinda em aplica??es computacionais envolvendo linguagem natural e l?gica, vista a disponibilidade de t?cnicas eficientes de an?lise e interpreta??o ling??stica no paradigma da programa??o em l?gica [13,17]. Se a pr?pria teoria, independente de implementa??o computacional, define um processo similar ? unifica??o em seu bojo, o aproveitamento computacional torna-se tanto mais facilitado e consistente.
c) Distin??o entre Classe e Elemento de Classe ? V?rias categorias conceituais aceitam distin??es com base numa rela??o de hierarquia, onde alguns elementos est?o subordinados a outros. Novamente, o mapeamento entre estas distin??es, por um lado, e as no??es de vari?vel tipada e constante, por outro, apontam para uma correspond?ncia sistem?tica entre elementos da teoria e elementos ou estruturas da linguagem de representa??o de conhecimento.
d) Argumentos-Fun??es ? Cada categoria conceitual pode ser decomposta numa estrutura de argumentos que podem, a seu turno, ser expressos por fun??es. Isto permite que duas fun??es sint?ticas ou dois complementos de verbo, por exemplo, sejam acoplados em um s? argumento.
e) Alimenta??o a partir de v?rios sistemas ? O n?o compromentimento exclusivo das EC's com as estruturas ling??sticas, uma vez que as EC's podem mapear-se em outros sistemas e ser por eles alimentadas, possibilita o uso da teoria como base sem?ntica uniforme para sistemas envolvendo facilidades de multimeios.
f) Regras de Correspond?ncia ? Jackendoff salienta que seu modelo geral para o processamento da linguagem ? onde aparece o componente sem?ntico ? n?o adota regras de deriva??o, no sentido de a sem?ntica derivar da sintaxe ou vice-versa, mas antes regras de correspond?ncia, em que tanto a estrutura resultante do componente sint?tico quanto a resultante do componente sem?ntico apresentam regras de mapeamento rec?proco. Esta caracter?stica te?rica ? uma s?lida garantia de homogeneidade entre as estruturas associadas ? representa??o sint?tica e sem?ntica em uma implementa??o computacional do modelo.